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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Jackpot

No último texto, deixámos expresso o nosso desejo de dar tempo ao clube — jogadores, equipa técnica, e administração — para manter o novo caminho escolhido, com a chegada de Rúben Amorim, e oferecer as melhores condições possíveis para o Sporting chegar ao título no próximo mandato. Apenas quatro meses depois, o Sporting fecha metade do campeonato com a sua melhor primeira volta de sempre: 14 vitórias, 3 empates, 0 derrotas, 9 golos sofridos, e um primeiro lugar isolado, na tabela, com uma distância de 6 pontos para o segundo classificado e outra de 9 para o terceiro.

Não existe nenhum sportinguista, neste momento, que não esteja já a pensar mais alto. É esta a natureza do clube. A nossa satisfação, contudo, não se prende apenas com o actual primeiro lugar: prende-se com a maneira como lá chegámos. Depois de uma época a lembrar o pior de Godinho Lopes, Frederico Varandas colocou todas as fichas no novo treinador-sensação da liga e tornou-o num dos técnicos mais caros da história do futebol. Uma aposta de enorme risco — a maior de um mandato até aí errático e frustrante — e que ultrapassou, até agora, todas as previsões e expectivas. Rúben Amorim, com o seu perfil e as suas decisões, trouxe, à direcção, aquilo que ela tinha prometido antes das eleições: uma equipa que junta a qualidade da formação a contratações cirúrgicas (com correspondência a um modelo de jogo) e que personifica, dentro e fora de campo, o compromisso exigido pelos objectivos do Sporting. Depois de uma "pré-pré-época", o novo mercado de Verão traria alguns dos melhores jogadores do campeonato fora do trio dos clubes grandes e o mercado de Janeiro conseguiria preencher, também, as últimas peças do puzzle (sobretudo a mais flagrante: a do avançado), conseguindo-se estreitar nacionalidades, por fim, para potenciar uma melhor comunicação no grupo.

O carisma de Amorim é óbvio e a empatia que consegue com os jogadores é outra das razões para o seu sucesso. Antes disso, contudo, devolveu uma identidade ao nosso futebol, ensinou os jogadores a defender e a atacar em bloco (algo que já não acontecia desde... Jorge Jesus), e introduziu uma mobilidade, no trio da frente, que garante variabilidade e criatividade a uma estrutura bem definida. Independentemente do resultado final deste campeonato, o jackpot do Sporting é esse: onde o clube tremia, dentro e fora de campo, hoje parece sólido, confiante, e seguro, fruto da competência da sua equipa técnica e, também, de uma direcção que lhe deu espaço e tempo para trabalhar. Tão grande quanto o nosso desejo para o final desta maratona, em termos desportivos, é o desejo de que Amorim e a sua filosofia de trabalho deixem uma influência na profissionalização da estrutura do futebol do Sporting. Quando todos sabem o que querem e somos fiéis a uma identidade, dentro e fora de campo, os resultados acabam por aparecer. Para já, celebremos esta primeira vitória. O clube merece.

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Desunir o Sporting


Frederico Varandas:

"Quem contesta o trabalho desta direcção ou não percebe nada de futebol ou é intelectualmente desonesto." Setembro de 2019

Sporting 2019/20:

Liga: 4.º lugar com 22 pontos de distância para o 1.º
Taça: Derrota por 2-0 (Alverca, Campeonato de Portugal - Série D)
Supertaça: Derrota por 5-0 (Benfica)
Liga Europa: Eliminado pelo İstanbul Başakşehir (3-1 em casa, 1-4 fora)

Porto: 2 jogos, 2 derrotas
Benfica: 3 jogos, 3 derrotas
Braga: 3 jogos, 2 derrotas
Rio Ave: 3 jogos, 2 derrotas
Famalicão: 2 jogos, 2 derrotas

As palavras do presidente do Sporting, proferidas no início desta longa época desportiva, revelaram um traço que deixou poucas saudades: uma reacção a críticas ao seu trabalho que prefere, em vez da auto-crítica humilde, insultar sócios e adeptos com o direito a exprimir a sua insatisfação quanto ao rumo do clube (tendo ou não razão para tal). Os sócios pagam quotas e gameboxes em condições económicas difíceis e merecem respostas à altura da instituição que o presidente dirige. Frederico Varandas não é a última Coca-Cola do deserto nem é, muito menos, a única pessoa no universo sportinguista com capacidades para gerir os destinos do Sporting de uma maneira que deixe os sócios satisfeitos. A sua posição traz responsabilidade e deveria trazer humildade perante um universo que junta mais de 100 mil sócios e 3 milhões de adeptos e simpatizantes.

A principal contestação ao seu trabalho tinha sido, precisamente, o facto de vencer eleições com um lema ("Unir o Sporting") que pretendia juntar um clube fracturado e de ter decidido ignorar essas intenções às primeiras críticas. Devido ao contexto em que anunciou a candidatura, já tínhamos aqui apontado que teria de escalar uma enorme montanha para conseguir responder à sua primeira missão. Depois da vitória eleitoral, a sua comunicação preferiu falar mais vezes do passado do que aquilo que implementou, estruturalmente, no presente do clube, justificando-se com o estado em que Bruno de Carvalho havia deixado o Sporting, na consequência dos incidentes de Alcochete, para explicar os seus insucessos. No entanto, se Frederico Varandas achava que comparar legados iria fazer unir o clube à volta da sua candidatura, cometeu aí o seu primeiro erro, pois se 71% dos sócios votaram na destituição do anterior presidente, nunca é demais relembrar que 90% da mesma massa associativa votou na mesma pessoa, um ano antes, para lhe entregar um novo mandato após uma extraordinária recuperação financeira, desportiva e patrimonial que enterrou um plano de falência já em curso.

O segundo erro, como também previmos no mesmo texto, seria acreditar que o Sporting precisava apenas de uma mudança de perfis, com a mesma estrutura, para se tornar num clube vitorioso no futebol. Um dos problemas da administração de Bruno de Carvalho foi, precisamente, depender demasiado de um "regime presidencialista": um modelo ultrapassado, no futebol moderno, que torna a gestão de um clube demasiado dependente dos temperamentos de uma pessoa. O Sporting, como qualquer clube com ambições, precisa de uma estrutura alargada e profissional com elementos capacitados para funções de gestão desportiva, algo que não se ganha pela obtenção de créditos por equivalência por se ter atravessado corredores de um clube que nunca teve, precisamente, a estrutura de que precisava. Ao mesmo tempo, Varandas deixou-se rodear de simpatizantes do seu trabalho que se vangloriam, em comunicações públicas, de terem tornado o Sporting num clube mais de acordo com a sua "elevação", algo que apenas reforçou a "luta de classes" e tensões num clube que, fundado com o dinheiro de um visconde e por iniciativa de atletas, se tornou num emblema de popularidade nacional e transversal a todas as classes. Decididamente, os complexos sociais destes adeptos "notáveis" ainda influenciam, e de que maneira, a vida do Sporting, algo que está na base de uma longa guerrilha interna que motiva adversários e que atira o Sporting para a irrelevância.

Em dois anos de mandato, Frederico Varandas trouxe 14 jogadores para a equipa principal: Idrissa Doumbia, Cristian Borja, Tiago Ilori, Luiz Phellype, Valentin Rosier, Rafael Camacho, Eduardo Henrique, Jesé, Bolasie, Luís Neto, Fernando, Luciano Vietto, Gonzalo Plata e Andraz Sporar. Destes, apenas dois (Plata e Sporar) entraram no onze inicial no último jogo do campeonato (Neto substituiu Coates após lesão no aquecimento). Está espalmada, aqui, todo o falhanço de uma gestão desportiva que recorreu ao promissor treinador do Sporting de Braga (o quarto na mesma época), a troco de 10 milhões de euros (!), para tentar ultrapassar esse clube e conseguir uma entrada directa na Liga Europa (não conseguiu). Rúben Amorim, por sua vez, tem feito os possíveis para preparar a próxima temporada. Não tendo qualidade individual para um modelo de jogo interessante mas também exigente, encontrou um contexto indesejado mas "perfeito" para apostar na nova geração a sair de Alcochete: jogadores com talento mas demasiado inexperientes para carregarem todas as nossas esperanças em conseguirmos, na próxima época, algo melhor do que um lugar que desonre o clube.

Saberão Frederico Varandas e Hugo Viana enriquecer o plantel com jogadores que façam a diferença? Braga, Rio Ave, e Famalicão, clubes que contribuíram para o recorde de derrotas do Sporting numa só época (17), já têm prospecções mais eficientes e projectos mais sólidos do que aquele que podemos oferecer (que o diga João Palhinha, jogador que se valorizou muito com os anos passados em Braga). Não bastam bons atletas: são necessários jogadores que o modelo do treinador consiga potenciar. Para já, a presidência de Varandas ainda nem mostrou ter capacidade para responder à primeira dessas exigências, fazendo com que a nossa maior esperança, depois do que mostrou na primeira época planeada por si, recaia em que eventuais candidatos às eleições de 2022 (e um em particular) estudem afincadamente os erros do seu mandato para apresentarem um projecto de profissionalização do clube que esteja à altura do Sporting que todos merecemos.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Futebol? Um desastre.

Frederico Varandas foi inteligente em ter sido o primeiro a apresentar a sua candidatura à presidência do Sporting. Mesmo que o momento não tenha sido o mais indicado (e numa altura em que não estavam marcadas eleições), acabou por se assumir como principal alternativa, num clube desgovernado, para um universo sportinguista desesperado por ver alguma estabilidade emocional e directiva à frente dos seus destinos. Fruto da boa imagem que manteve, junto dos adeptos, enquanto director clínico, Varandas apresentou-se, também, como alguém com o conhecimento necessário para dirigir os destinos do clube graças aos vários anos passados na estrutura. Alguém que, segundo a comunicação da sua campanha ("Unir o Sporting"), conhecia todos os defeitos da casa e sabia exactamente o que fazer para remendar um projecto que tinha entrado em auto-destruição.

Antes de ser eleito, apontámos os nossos receios em ver uma proposta de estrutura que se mantinha demasiado centrada nas disposições de uma única pessoa. Se Varandas delega decisões em vários departamentos, o futebol, apesar de assessorado por Hugo Viana, passa apenas por si. Mais ainda, após um contacto directo com candidatos em sessões de esclarecimento, notámos que Varandas apresentava uma enorme convicção quanto ao seu papel no clube mas um conhecimento pouco transversal e detalhado das diferentes complexidades da gestão desportiva (nomeadamente num clube com a dimensão do Sporting).

Hoje, passados quinze meses da sua eleição, esses receios confirmam-se. De um lado, vemos um presidente que demonstra tiques de arrogância, na comunicação, que lembram defeitos do seu antecessor, e uma estratégia que, em vez de unir um universo de sportinguistas dividido por uma destituição e um evento traumático (como ainda se nota, com grande evidência, nas últimas votações em Assembleia Geral), prefere ser o presidente da "maioria silenciosa" contra uma "minoria ruidosa", não lhe interessando, como havia prometido em campanha, unir os sportinguistas independentemente das suas votações (com todas as dificuldades que isso pode trazer -- no entanto, é esse o seu trabalho). A própria questão das claques (que repetiram actos violentos depois de um jogo no Pavilhão João Rocha) parece ainda longe de estar encerrada, não parecendo resolver-se, inabilmente, com seguranças à porta dos estádios a retirar cachecóis e despir roupa, em adeptos sportinguistas, com adereços e símbolos desses grupos.

Se o universo extra-futebol tem trazido troféus e reconhecimento internacional ao clube (na continuidade do trabalho da anterior direcção e com a construção do pavilhão), as decisões da sua responsabilidade quanto ao maior activo do clube (a gestão do plantel principal de futebol) tem sido desastrosa. Em pouco mais de um ano, o Sporting já conta com cinco treinadores diferentes, sendo que a principal escolha de Varandas (descontamos Peseiro e os transitórios Tiago Fernandes e Leonel Pontes) recaiu num treinador holandês que se revelou completamente desajustado às exigências de um futebol português bem mais evoluído, tacticamente, do que aquele que existe na Holanda. Se Marcel Keizer trouxe dois títulos saborosos, lembramos que estes foram ganhos à custa de um futebol pobre e sem identidade, que remetia a iniciativa do jogo para o adversário (independentemente do nome), e da intervenção quase exclusiva do seu melhor jogador. Jogando como equipa pequena, o Sporting, a curto prazo, conquistou dois troféus, perdendo, a médio prazo, toda e qualquer organização táctica (defender com muitos não é defender bem) e motivação para os jogadores acreditarem nas suas capacidades em jogar futebol e impor o seu jogo.

Se Keizer foi "o" treinador de Varandas, o actual plantel também é "dele": uma equipa que, depois de várias janelas de mercado, ganhou várias contratações sem valor para o clube, apenas conta com um avançado de raiz, viu dispensados os maiores talentos da sua formação (Matheus Pereira, Daniel Bragança), e onde se investiu, ao contrário do que fora anunciado em campanha, em empréstimos de jogadores caros, sem historial de compromisso, e sem rendimento. Hoje, o Sporting é uma equipa de remendos onde qualquer treinador (uns, como Silas, com melhores ideias do que outros) se vê atado às suas condicionantes, vendo, a partir do banco, como diferentes sectores não se juntam, não constroem, e não oferecem criatividade, tornando qualquer situação de desvantagem, fruto da ausência de opções, numa batalha psicológica dos jogadores contra os seus próprios defeitos.

O Sporting, hoje, é um clube, uma estrutura e um plantel dividido. Vitor Oliveira, treinador do Gil Vicente, disse, com frontalidade, depois da sua vitória por 3-1, que os incidentes de Alcochete vão fazer com que o Sporting demore alguns anos a ter plantéis com a qualidade dos seus maiores rivais. É verdade. O que os incidentes de Alcochete não podem justificar é a manutenção de um clima de enorme divisão dentro da instituição, sem perspectivas de mudança na comunicação e na sua gestão, e uma incapacidade que se pode tornar crónica, devido às suas decisões no presente, em conseguir vencer equipas que lutam apenas pela permanência na primeira liga. Com 13 pontos de atraso para a liderança a 1 de Dezembro, Frederico Varandas parece estar, afinal, em plena aprendizagem de um papel para o qual dizia estar pronto. Pior do que isso, já não lhe restam muitas cartas para convencer o universo sportinguista, em níveis perto de máximos de descrença, que vai conseguir fazer melhor do que isto. Janeiro será o momento para mostrá-las, caso contrário, já sabemos o que nos espera. 

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

A quadratura do círculo


Só para os mais desatentos é que o despedimento de José Peseiro constituiu uma surpresa: apesar dos acontecimentos do Verão de 2018, da pré-época atípica e da falta de qualidade de um plantel para as aspirações do Sporting, a equipa, colectivamente, apresentava um futebol terrível e cujos resultados negativos, já em sucessão perigosa, arriscavam alimentar uma bola de neve cada vez mais incontrolável para a estabilidade do clube. Frederico Varandas tomou uma decisão corajosa -- e certa -- de dispensar dos serviços do treinador português e, optando por um momento de paragem nas competições entre clubes, escolheu um treinador identificado, por si, como o homem certo para levar a cabo o seu projecto. O presidente surpreendeu e foi até aos Emirados Árabes Unidos buscar o antigo treinador da equipa júnior e sénior do Ajax (então treinador do Al Jazira): alguém que, no papel, adequa-se aos princípios de formação de jogadores jovens e que mostrou, na sua curta carreira, a preferência por um futebol de ataque com uma média muito elevada de golos marcados. Keizer chegou e, com apenas duas semanas de treino, mostrou esses princípios que tanto entusiasmam o adepto de uma equipa grande (ou de qualquer outra): um jogo pelo centro do terreno, a recusa das bolas longas e da insistência nos cruzamentos, a procura da posse de bola e uma pressão agressiva após a perda, e uma equipa que procura sempre o golo independentemente do resultado. Os jogadores do Sporting pareciam libertados: em quase uma dezena de jogos, a média de golos marcados era superior a quatro por jogo, os jogadores surgiam com outra confiança (e divertiam-se em campo), e alguns jovens começavam a ser introduzidos nas convocatórias e a ganhar minutos. 

Os adversários estudaram o sistema do Sporting e o clube sofreu, pouco depois, duas derrotas no campeonato (contra o Vitória de Guimarães e o Tondela, ambas fora). Keizer, em resposta ao momento da equipa, abdicou do futebol atacante de primeiro toque, conduzido pelo centro do terreno, e, no meio de um calendário fisicamente extenuante, pediu à equipa para jogar com menos risco na construção. O futebol da equipa regressou, então, ao trabalho que se viu no início à época: bolas longas dos centrais para o avançado ou para os extremos, no outro lado do campo, e cruzamentos, para a área, à espera de um bom destino, mantendo uma distância assinalável entre sectores e a entrega da iniciativa de jogo, muitas vezes, ao adversário. O Sporting abdicou de marcar muitos golos, colocou de lado os novos princípios com que a equipa trabalhava, e, pior do que isso, continuou a sofrer os mesmos golos (ou mais ainda), desenvolvendo, no meio de uma terrível quebra no rendimento físico da equipa, uma quebra na confiança entre os jogadores e o que lhe pedia a equipa técnica.

Se Marcel Keizer chegou num momento da época que nunca treinador deseja -- a meio dela, sem conhecer o grupo de trabalho -- e a sua gestão, por isso mesmo, ser discutível mas algo compreensível (o treinador fez pouca rotação, até ao fecho do mercado de Inverno, por estar preso à necessidade de criar rotinas), há sinais colectivos, no entanto, que são preocupantes para o futuro do Sporting. Se a gestão de expectativas sempre foi um problema do clube, fruto de lutar por um título com condições sempre inferiores às dos seus rivais no que toca à qualidade individual dos seus jogadores, importa olhar, contudo, para como a equipa joga dentro de campo em termos colectivos. E, neste momento, independentemente das aspirações (ocupar o primeiro, segundo ou até terceiro lugar), o Sporting não é uma equipa preparada para todos os momentos do jogo, característica essencial para qualquer equipa grande que procure a regularidade exibicional, uma dinâmica de vitórias e, consequente, a confiança dentro do grupo de trabalho. 

Entre os vários problemas, há um gritante que foi exposto, em toda a linha, contra a equipa que melhor constrói e ataca em Portugal (o Sport Lisboa e Benfica): o momento sem bola (como exposto, de forma muito clara, neste texto do Lateral Esquerdo). Com jogadores bem posicionados e princípios bem trabalhos, qualquer opositor consegue explorar, de maneira fácil e rápida, os espaços deixados em aberto pelo Sporting, chegando à baliza leonina numa questão de segundos. Contra o eterno rival, o desnorte colectivo de uma linha defensiva completamente descoordenada, deixada à mercê do opositor, também, pela falta de posicionamento do meio-campo e dos extremos, mostrou a diferença para um adversário que, apesar de ser superior individualmente, revela a sua maior força, tal como qualquer equipa dominadora e vencedora, nos seus princípios de jogo, em todos os seus momentos, e, acima de tudo, na qualidade do seu treino (onde estes são trabalhados). Neste ponto, o futebol de Keizer parece revelar as diferenças actuais entre o futebol holandês e português (algo que deveria ter sido levado em consideração na escolha e experiência do treinador): uma inferioridade, do primeiro para o segundo, em relação aos princípios de trabalho e de treino defensivo, e uma anarquia consequente nos tempos e termos da reacção, leitura e posicionamento do comportamento sem bola. Basta dizer que o Sporting, apesar de não ter a pior equipa (ou os piores defesas) do campeonato português, é das equipas que pior defende em Portugal (e poderíamos dar início, neste ponto, à actual crise do futebol holandês, mas deixamos o tópico para analistas de facto).

Não faz falta, ao Sporting, abdicar dos princípios de um futebol ofensivo, que busca a inteligência de um jogo no chão e pelo centro do terreno, para conseguir os resultados que deseja. Basta apenas treinar e jogar para que consiga responder a todos os momentos do jogo, sem ter que abdicar de um em vez de outro: não apenas com bola mas sem bola, não apenas em transição ofensiva mas em transição defensiva. Com os objectivos da época a estreitarem-se, Keizer encontra-se em estágio no futebol português até ao final da época. A dúvida já não parece ser se o treinador holandês conseguirá trazer o sucesso que o Sporting lhe pediu -- será, neste momento, se Keizer irá sair, do futebol português, melhor treinador do que quando cá chegou. De parte da direcção, a dúvida será se ainda deverá tomar, no final da época, outra decisão tão corajosa quanto tomou com José Peseiro (naquilo que seria o reconhecimento de um erro de casting que apenas o próprio treinador poderá contrariar até ao final da época). Existem em Portugal, neste momento, novos treinadores que, mesmo com expectativas realistas face às possibilidades do clube, conseguiriam desenvolver um futebol adequado a uma equipa grande -- trabalhando tanto princípios ofensivos como defensivos -- e formar jovens talentos, que esperam por uma oportunidade na Academia, para solidificar não apenas o futebol do Sporting mas, também, salvaguardar um projecto administrativo que merece tempo para cimentar as bases já implementadas na sua estrutura desportiva, de formação e de prospecção. Nenhum sportinguista pediu, este ano, a conquista do campeonato: apenas espera por sinais de competência, dentro e fora de campo, para recuperar o tempo perdido em relação aos rivais. Caberá à administração, no final da época, entender, tal como fez com José Peseiro, que essa avaliação deve ser feita não apenas pelos resultados mas, numa equipa com a dimensão do Sporting, pela preparação do grupo de trabalho face às exigências do futebol português dentro das quatro linhas.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Unir o Sporting (e torná-lo profissional)


Parece haver um sentimento bastante comum entre os sportinguistas, nestas eleições, de não olhar para nenhuma candidatura como o projecto que irá descansá-los de todas as suas preocupações. Num dos momentos de maior desunião da nossa história, acaba por não ser uma grande surpresa, por isso, ver um número tão elevado de candidatos. Por um lado, se os projectos e as estruturas são muito importantes, é preciso ter em conta, por outro, uma das maiores verdades da performance desportiva: não há vitórias sem união de grupo, e a ausência de um palmarés, no futebol profissional, à altura da dimensão do Sporting também se explica pela turbulência e as intrigas permanentes de um clube que poucas vezes pensou nele próprio e muitas mais nas figuras e nos interesses pessoais que viviam nele. Divisões e gestos que, na catástrofe que se viveu recentemente, conseguem facilmente apagar os melhores momentos de uma direcção que começou a trabalhar para a sobrevivência de um clube e que acabou a trabalhar para a sobrevivência do seu dirigente máximo, ficando para a história como a primeira a ser destituída em mais de cem anos de existência.

De todas as candidaturas, duas delas têm projectos que parecem apontar para uma profissionalização da estrutura do Sporting na realidade desportiva do séc. XXI: a de Frederico Varandas ("Unir o Sporting") e João Benedito ("Raça e Futuro"). Num mundo ideal, uma candidatura única que reunisse estes dois projectos, que partilham alguns pontos em comum, seria, seguramente, aquilo de que o clube precisaria para conseguir essa união tão necessária ao sucesso -- suficientemente agregadora, portanto, para chamar a maioria dos sócios e poder juntar, à sua volta, ainda outras candidaturas. Alguns pontos são praticamente idênticos, como a criação de uma unidade de "performance" e de apoio ao atleta e a identificação de lacunas na mentalidade competitiva e de adesão ao clube por parte dos atletas da formação,  tal como o entendimento que a estabilidade financeira do clube só vem com o sucesso desportivo. Existem, no entanto, diferenças fundamentais que impedem que elas se juntem numa só: o tipo de estrutura pensada para o clube e a preparação dos seus elementos para a gestão desportiva.

Frederico Varandas, por conhecer a realidade do clube por dentro, opta por manter uma estrutura muito semelhante àquela que tem existido no Sporting: um regime mais "presidencialista", com intervenção directa no futebol, identificando as lacunas da estrutura na performance, filosofia de formação e método de captação de jogadores, corrigindo-as de acordo com a experiência adquirida em sete anos de direcção clínica no Sporting. Fruto da sua demissão depois de terminada a época desportiva, e, sobretudo, ainda antes das rescisões no plantel, o anúncio da sua candidatura acaba por ficar associado a um momento de enorme ruptura no Sporting. Independentemente da sua vontade em mudar o clube (e vemo-lo como um acto genuíno, contra quaisquer outras teorias), anunciar a sua candidatura em associação directa à demissão do departamento clínico, e numa altura em que ainda não estavam marcadas eleições, não terá sido, reconheçamo-lo, a forma ou o momento mais indicado perante a situação que o clube vivia (talvez o momento possível, no seu ponto de vista, mas não o ideal perante um grupo de trabalho que se viria a desmoronar). A sua candidatura, fruto das subsequentes rescisões, veio a suscitar, por isso, maior desunião do que união dentro do universo sportinguista (e não necessariamente por quem votou contra a destituição da anterior direcção), deixando dúvidas quanto aos sentimentos que o clube poderá reviver (com uma vitória que será sempre minoritária para qualquer candidato) em caso de maiores dificuldades.

Paradoxalmente, é o projecto de Frederico Varandas que acaba por oferecer uma maior continuidade em relação ao funcionamento actual do clube e da sua estrutura, apesar de não vir a recolher os votos dos sócios indefectíveis do último presidente. Trata-se, por isso, de uma candidatura que procura "remendar" o que está mal, a partir do conhecimento vivido no departamento de futebol, com ideias positivas no sentido de aproximá-lo da maneira como os rivais do Sporting já trabalham há vários anos. Se isso chega para fazer dele um bom presidente do Sporting, e apesar de apresentar boas ideias, já é uma questão que, durante a campanha, não ficou totalmente esclarecida pelo próprio, ficando claro que a sua candidatura não soube pacificar as dúvidas quanto às suas capacidades de agregação (de poder responder, portanto, ao seu lema), do próprio corresponder à exigência multifacetada do cargo de presidente e, da mesma maneira, da experiência ou competência de alguns membros da sua lista, independentemente do seu sportinguismo, no trabalho específico da gestão desportiva (tendo mesmo uma demissão na sua lista para o Conselho Directivo, devido a ameaças de violência, acabado por confirmar algumas dessas dúvidas e levantar, inclusivamente, indesejáveis fantasmas ou indesejáveis associações dentro da estrutura de decisão), nunca tendo sido capaz de se libertar, por essa razão, de um discurso ensaiado (por aquilo que será uma agência de comunicação) em vez de partir do foco que seria naturalmente suscitado pelo seu projecto.

Apesar de se focar, também, na performance desportiva como factor determinante para o sucesso global do clube, colocando o que acontece dentro das quatro linhas como o centro de gravidade de toda a gestão, João Benedito traz, com a sua equipa, um projecto assente numa outra filosofia: uma estrutura diferente daquela que existiu no clube nos últimos anos (e que existe agora) e que assenta na experiência de competição e na cultura de vitória de ex-atletas do universo Sporting que ganharam, entretanto, experiência profissional nas áreas de intervenção às quais se propõem candidatar. Em vez de recebermos pessoas de fora para dentro do clube (como tem sido apanágio, e como Varandas repete-o pelo menos em parte no seu projecto), esta é uma candidatura que, pelo contrário, recupera as pessoas que "nasceram" dentro dele para devolverem aquilo que o clube lhes deu: uma cultura desportiva e de gestão que aponta exclusivamente para a conquista de títulos. Se todos os candidatos se apresentam publicamente com esta mentalidade, a candidatura de João Benedito é a única que consegue trazê-la para dentro do clube por tê-la efectivamente vivido na gestão desportiva. Curiosamente, é uma candidatura compreensivelmente descrita como portadora do "ADN do clube" (recordando o exemplo fundador de Francisco Stromp, numa realidade desportiva diferente) apesar deste tipo de gestores (que conhecem e viveram, de facto, a performance e gestão desportiva) nunca ter vingado nas décadas recentes da estrutura do Sporting (um afastamento em trabalho e filosofia que poderá explicar, nem que seja por mera sugestão, a dificuldade em encontrarmos capitães e referências fortes dentro dos grupos de trabalho do Sporting, nomeadamente no futebol).

Se a intenção de profissionalização da estrutura é também um ponto assente da sua candidatura, João Benedito monta uma estrutura mais alargada para o funcionamento do clube. Apesar da importância e intervenção da figura do presidente, terá um vice-presidente exclusivamente para a área do futebol (Carlos Pereira, ex-atleta e treinador da casa que conhece o futebol português e a formação do Sporting) -- um cargo ausente na estrutura de Varandas --, ficando André Cruz mais próximo do balneário e dos jogadores. Por outro lado, Benedito traz ainda a figura de um CEO (chief executive officer), algo envolto em algum mistério, devido à impossibilidade de divulgar o seu nome, e que traz sempre alguns fantasmas de má-gestão na nossa história (devido à importação de agentes do sector bancário para o clube que foram gerindo o Sporting nas últimas décadas...). No entanto, esta decisão responde à necessidade de profissionalização empresarial e do sector corporate do clube, uma área onde os números e a estratégia de gestão estão a milhas dos nossos rivais, respondendo, por isso, a uma necessidade imperativa das estruturas dos grandes clubes desportivos no séc. XXI (não ficando essa necessidade estratégica apenas a cargo de um CFO -- chief financial officer -- como era Carlos Vieira, na direcção anterior, ou como existe na estrutura de Frederico Varandas: um "homem das finanças", logo, com menor visão estratégica em termos de gestão empresarial e desportiva). 

Se a consciência de que o Sporting não é ainda um clube totalmente profissional na sua gestão desportiva e empresarial, a candidatura de João Benedito parece responder de forma mais alargada a esta ideia, preferindo um modelo menos "presidencialista" (ou menos assente na personalidade de um presidente) e, por isso, mais estruturado a uma ideia de longo prazo, não dependendo inteiramente de personalidades e feitios, apesar de uma mentalidade bem vincada, e mais adequada, portanto, à execução de uma estratégia de gestão. Ao mesmo tempo, parece oferecer uma ruptura naquilo que tem sido a história do Sporting, que se tem pautado pela importação, para as suas listas, de pessoas de inegável sportinguismo, vindas de outras áreas da sociedade, mas que trazem desconhecimento quanto à realidade concreta da gestão desportiva. No conceito de Benedito, foi a própria experiência desportiva, dentro das várias áreas de competição do Sporting, que acabou por dar a formação necessária para a gestão executiva de um clube, complementada por uma experiência académica e profissional dos membros da sua equipa dentro e fora do Sporting. É um diagnóstico, a nosso ver, perfeitamente justo quanto aos resultados das sucessivas gestões danosas que o Sporting tem sofrido, e o primeiro a respirar, de forma mais veemente, aquilo que o Sporting acaba por contribuir para o próprio país. A consciência de que a área desportiva precisa de ser profissionalizada é complementada, em paralelo, com o crescimento da sua área empresarial pela presença de um administrador (CEO) que executa uma estratégia de gestão de maneira transversal às áreas não-desportivas, sendo a única candidatura que parece ter essa visão, no seu programa, para cimentar a sua presença no futebol dos grandes clubes (os que jogam na Champions League) e permitir, inclusivamente, que futuras administrações possam dar continuidade ao trabalho de gestão da equipa que vierem a substituir, tal como em qualquer grande empresa. 

Por fim, importa evocar questões de comunicação que foram reproduzidas nas intervenções dos candidatos nas suas aparições públicas, em debates e entrevistas, e nas suas presenças em sessões de esclarecimento nos núcleos. Se a candidatura de João Benedito foi a primeira (ou mesmo a única) a respeitar, e comunicando-o publicamente de forma clara, os interesses de comunicação do Sporting (não comparecendo em debates em canais de televisão -- e sensacionalistas, diga-se, que de muito se alimentaram dos acontecimentos de Alcochete para fazer subir as suas audiências -- antes de comparecer nos debates da Sporting TV), o candidato não assentou a comunicação do seu programa em soundbytes ou frases feitas, expondo-a, por outro lado, a partir da implementação das suas ideias, da sua filosofia, e do método de trabalho concreto de uma equipa unida, parecendo-nos claro, também, que essa mesma comunicação irá espelhar o espírito de execução que pretendem trazer para dentro do clube (não podendo o mesmo dizer-se da candidatura de Frederico Varandas, que não reproduz o mesmo foco nem um pensamento tão desenvolvido e estruturado nas suas comunicações). 

Ao ter presenciado sessões de esclarecimento dos dois candidatos num mesmo núcleo do Sporting, a disponibilidade de comunicação quanto à realidade de todas as áreas do clube e os seus projectos para estas últimas, a profundidade do seu conhecimento e detalhe, o foco e estrutura do discurso e a experiência prática da sua equipa na gestão desportiva deram a entender, de maneira extraordinariamente clara, que, ao contrário do que julgava no início da campanha, não é o candidato Frederico Varandas ou a sua equipa que têm melhor conhecimento sobre a realidade de trabalho do Sporting (e os conceitos de gestão desportiva) nem as propostas mais realistas e concretas para o clube mas sim o candidato João Benedito, o seu plano e a sua equipa (num brevíssimo apontamento, e que serve de mera ilustração, não basta o candidato Frederico Varandas dizer, em resposta aos seus planos para as modalidades, "continuar a vencer", antes de passar para outras questões, e, para estas últimas, "porque quero vencer", antes de ser vigorosamente aplaudido pela sua própria equipa, em vez de expor um método de trabalho com conhecimento de causa sobre as áreas em questão e os planos concretos que existem para cumprir determinados objectivos dentro delas, tal como não existir disponibilidade para uma apresentação oral completa e transversal do seu projecto, ao contrário do que sucedeu na sessão de esclarecimento com o candidato João Benedito, antes de lhe ser feita qualquer pergunta).  

Por todas estas razões, a candidatura "Raça e Futuro" (duas palavras que nos parecem falar para o que se procura tanto dentro do campo, a nível desportivo, como fora dele, a nível de gestão) é aquela que parece ter mais capacidades para, efectivamente, "unir o Sporting", pacificar o clube pelos seus interesses (e não pelas suas personalidades) e, sobretudo, conseguir governá-lo com uma estratégia de gestão desportiva que se encontra, olhando para as duas equipas, nas mãos de quem efectivamente a experienciou e deseja continuar a trabalhar nela ao longo da sua vida, mostrando uma ideia de desenvolvimento desportivo e estrutural com um conhecimento de causa verdadeiro e realista em todas as áreas do clube. Depositarei, por isso, os meus nove votos na lista A, candidatura de João Benedito, nas eleições do próximo dia 8 de Setembro.

domingo, 3 de junho de 2018

Crónica de (mais) uma crise anunciada

Já tínhamos referido, neste blogue, que o maior problema do actual presidente do Sporting era a sua gestão de expectativas. O que nunca tínhamos pensado era que chegássemos ao ponto do qual todos temos conhecimento: mensagens públicas, em redes sociais, a criticar jogadores (ao nível de treinador de bancada) e a anunciar a sua suspensão colectiva, mensagens privadas com ameaças e assédio moral, e, por fim, um acontecimento trágico na Academia de Alcochete, com agressões e ameaças de morte, ao qual a sua reacção pública se resumiu a um "foi chato", "o crime faz parte do dia-a-dia" e "amanhã é outro dia". Sejamos racionais: ao ler os detalhes que vieram a público (incluindo aqueles descritos nas cartas de rescisão já entregues), é fácil entender que nenhum destes jogadores sente condições para continuar a jogar no Sporting com uma administração que se recusa a reconhecer um gravíssimo problema de relacionamento profissional (algo que se alastrou, como se viu, a uma parte dos seus adeptos) e que desvaloriza um problema de segurança que compromete a sua integridade física e moral.

Bruno de Carvalho aprecia as guerras e sente-se cómodo em posição de confronto. Hoje, dividiu o clube ao meio e vemos uma boa parte da bancada solidária com os jogadores, reconhecendo o seu profissionalismo, e outra parte que os ataca por não lhes terem dado vitórias apesar dos seus salários milionários, justificando, com isso, as várias conquistas nas modalidades e a dedicação desses atletas ao clube. De um lado, a racionalidade, do outro, uma lógica de "presidente-adepto". Ao contrário do que o próprio referiu em entrevista ao Expresso, o "presidente-adepto", no futebol profissional, não é o futuro. O mundo do futebol, aliás, está cada vez mais longe do mundo dos adeptos, muito por culpa da enorme quantidade de dinheiro que nele circula. E a indústria do futebol português, em particular, encontra-se cada vez mais reduzida a uma "segunda liga europeia": ou seja, onde os futebolistas formados (e outros vindos de outros continentes) vêem as equipas portuguesas como o lugar adequado para crescer e jogar futebol, junto de adeptos que os adoram e num país com qualidade de vida, antes de uma eventual oportunidade numa das maiores ligas europeias com o contrato das suas vidas (Inglaterra, Espanha, Itália ou Alemanha). Esta é a realidade do mundo do futebol, e quem se recusar a gerir activos dentro dessa consciência de forma consciente, inteligente e equilibrada, está condenado ao insucesso. É também essa a razão pela qual não faz sentido comparar o universo do futebol com o de outras modalidades desportivas, pois são realidades financeiras e competitivas totalmente diferentes (onde o chamado "amor à camisola", num mercado bem menos atraente, consegue falar mais alto). 

Não dizemos, com isto, que o Sporting deve desbaratar os seus jogadores como fazia num passado recente, pois deverá sempre defender os seus interesses (algo que este presidente soube felizmente repôr no primeiro mandato). Mas é totalmente descabido insultar jogadores e acusá-los de falta de profissionalismo quando a causa pelo insucesso não passa, de todo, por aqui. Neste ponto, os sportinguistas lembram-se bem do primeiro ano de Jorge Jesus na equipa, o período de melhor futebol do Sporting em largos anos. A quebra da qualidade do jogo da equipa, para além de uma má estratégia administrativa na época subsequente (com contratações que deixaram muito a desejar), deve-se, em grande parte, à mudança de perfil dos jogadores que jogavam dentro de campo. Com a saída de João Mário, Teo Gutiérrez e Slimani, o Sporting perdeu mobilidade posicional e qualidade com bola (incluindo Slimani, que muito evolui com Jesus), trazendo Bas Dost como substituto: um grande goleador mas um jogador que obriga o grupo a jogar de forma totalmente diferente (um jogo mais directo, a servir um típico "jogador-alvo", e que implica menos circulação de bola, menos mobilidade, obrigando maior criatividade, nos jogadores com funções atacantes, para desbloquear uma marcação apertada e a rigidez posicional da equipa). Se a segunda época foi desastrosa, a terceira já conseguiu trazer outras garantias, sobretudo graças à utilização de jogadores com este perfil: Bruno Fernandes, em primeiro lugar, e Daniel Podence, cuja lesão acabou por coincidir com a queda da equipa no campeonato nacional (assim como a contratação falhada de um segundo avançado de características semelhantes ou, pelo menos, com golo). 

Para além disso, e mais ainda do que vermos uma administração a reagir ao insucesso segundo critérios não-racionais (tendo chegando, com as rescisões por justa causa, a gestão danosa), vemos, neste momento, uma direcção que começa a gerir o clube à revelia dos seus estatutos e, por consequência, de um estado democrático, substituindo, por iniciativa própria, outros órgãos sociais, sem qualquer intervenção dos sócios (um acto ilegal, portanto), para responder a iniciativas de destituição que respeitam, por outro lado, aquilo que está determinado nos estatutos do clube. Como já foi referido noutras plataformas, é o mesmo que o governo português substituir tribunais ou deputados por instâncias e pessoas da sua preferência para levar a cabo a sua agenda, sem interferências nem questionamento de acordo com aquilo que a lei determina e contrariando, assim, o princípio sagrado da separação de poderes. Se a perspectiva do Sporting ficar sem plantel de futebol profissional já era suficientemente grave (depois de ter visto chegar uma rescisão, por justa causa, da sua maior lenda actual), a realidade mostra-nos ainda que a actual direcção do clube está a tomar conta do Sporting de forma anti-democrática e contra os poderes dos sócios. Se os sportinguistas não tomarem conta do clube, não haverá razões para se continuar a gostar deste desporto que tanto amamos. E esse é o derradeiro limite da nossa paixão.

terça-feira, 23 de maio de 2017

Balanço da época 2016/17

A figura: Bas Dost. O holandês não precisou de adaptação para fazer aquilo para o qual foi contratado: marcar golos (e foram 34 no campeonato). Se a equipa se adaptou a ele, já é outra questão. Raras são as que perdem um campeonato com um melhor marcador deste nível (segundo a ajuda preciosa de Rui Miguel Tovar, umas quatro). Este é o tipo de contratação de que o Sporting precisa para enriquecer a sua base: jogadores de qualidade indiscutível e cujo mercado raramente deixa escapar por menos de 8-10 milhões. Faltam três ou quatro (laterais, central, meio-campo).

A confirmação: Gelson Martins. À semelhança de Bas Dost, Gelson exibiu-se a um nível técnico estrondoso. A manter esta evolução, seguramente estará no topo do mundo quando atingir a maturidade necessária no momento da decisão e na participação do jogo colectivo (onde já se mostrou mais objectivo do que no ano anterior). A sua exibição no Santiago Bernabéu lembrou a exibição de Cristiano Ronaldo no jogo inaugural do novo Estádio de Alvalade, em 2003, contra o Manchester United. Gelson será certamente aliciado para outros vôos, mas o clube já tem as suas pérolas protegidas por cláusulas de grande valor (outros tempos).

A esperança: Daniel Podence. Muita qualidade técnica no último passe, no remate, na ruptura de linhas e no envolvimento no jogo colectivo. Um jogador ainda jovem mas que traz algo que muito faltou ao Sporting nesta época: o risco, a procura da baliza, uma bola entregue em condições a quem finaliza. Jesus irá provavelmente voltar a apostar em Alan Ruiz no próximo ano (um jogador talentoso e com futuro), mas é o miúdo que nos faz levar ao estádio para vê-lo jogar, surpreender-nos e sentir o clube.

A desilusão: Por onde começar? Direcção e treinador partilham responsabilidades. No entanto, Jesus pecou nos jogadores pedidos, na gestão da equipa entre jogos domésticos e europeus, nas declarações a chamar valor a si quando a equipa brilhava. Bruno de Carvalho pecou por entregar carta branca ao treinador, crendo que este lhe daria, sozinho (e já), um sucesso tão esperado. Ambos terão de aprender com os erros e olhar para as suas decisões técnicas e para a sua estrutura competitiva (um com mais experiência, outro menos). A chave do sucesso do Sporting, no próximo ano, começa aí.

Positivo: Os sportinguistas. Sempre presentes em todos os momentos: em todos os jogos, em qualquer dia e em qualquer hora, na adesão às eleições, no entusiasmo com o talento que vêem à sua frente, apesar da falta de sucesso. Não há adeptos como estes -- adeptos que fazem um clube crescer desta maneira perante tantas desilusões no currículo. Por fim, a cantera. Os miúdos levantaram o clube na segunda volta e trouxeram alguma estabilidade ao "caos organizado" em que se tinha tornado o balneário.

Negativo: Uma pré-época desastrosa que foi apenas um anúncio para o que vinha mais tarde. O despesismo, na hora de contratar, em valores pouco seguros (o meio-campo), e a ausência de reforços em sectores importantes (as laterais). A transição entre o jogo colectivo do ano anterior e as suas mudanças para este ano (sobretudo com a saída de João Mário). As poucas oportunidades e o discurso hesitante perante o talento da casa. Começamos do zero na próxima época. Tudo pode acontecer até Agosto: assim é o futebol nos dias de hoje. Cá estaremos para outra volta. 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

A comunicação do presidente e a divisão dos sportinguistas

Poderei estar errado por não acompanhar a actualidade futebolística internacional de maneira profissional, mas não conheço nenhum presidente, de nenhum outro grande clube de futebol, que tenha usado uma conta pessoal do facebook para falar regularmente sobre a actualidade profissional. Hoje em dia, os grandes clubes de futebol exigem estruturas de nível empresarial. Ou seja, nos momentos em que se sente ser necessário falar com os adeptos, o discurso que se quer transmitir merece discussão prévia, no seio da estrutura e do departamento de comunicação, e passa, na maioria das vezes, por alguém desse departamento ou por um profissional cujas competências estão directamente associadas ao assunto em questão. O presidente de um clube, assim, comunica em ocasiões cirúrgicas (o que não significa que não comunica ou que não tenha poder de decisão sobre elas) por várias razões: por existir uma estrutura de competências delegadas, por conseguir proteger-se da exploração sensacionalista de uma parte da imprensa ou de agentes mal-intencionados, e de forma a não retirar poder e importância às suas palavras nos momentos em que estas lhe são verdadeiramente exigidas.

A criação da conta de facebook do presidente justificar-se-ia, ainda assim, se a sua utilização obedecesse também a essa ordem e critérios, tal como sucede, por exemplo, com figuras políticas que também passam por processos eleitorais e que se candidatam a lugares de governação. No entanto, se a criação dessa conta respondia a um desejo de transparência e de contacto directo, com a massa associativa e os adeptos, depois de vários anos em que o clube os tinha arredado do seu rumo e das suas decisões (ou, pelo menos, depois de vender-lhe um futuro cujo final se revelou trágico), as comunicações acabaram, como o próprio presidente admitiu na sua última mensagem, por ter um efeito "perverso", provocando mais divisões do que propriamente incentivar a união do universo sportinguista.

Nada consegue dividir mais um clube do que a ausência de vitórias. Nada. Assim se explica a história do Sporting nos últimos anos e os impulsos de auto-destruição ou a gestão de rivalidades que existiu dentro dele (e que os rivais desportivos sempre agradeceram e exploraram na sua comunicação). Assim se explica, também, o vector que se escondia por trás da maioria das comunicações do presidente que, querendo demonstrar que a exigência do Sporting não admite resultados como os dois últimos, e reagindo a eles pela sua intolerância às derrotas (e que são - ou deveriam ter sido sempre - intoleráveis num clube desta grandeza), não soube comunicá-las de maneira a fazer o que lhe era exigido: tranquilizar e unir o clube num momento de derrota. Pelo contrário, a comunicação, em tom acusatório, aponta o dedo directamente aos seus atletas de maneira deselegante (evocando o facto de terem "ordenados em dia") e, talvez pior ainda, critica os adeptos que os aplaudem e lamenta o facto de não ter conseguido tornar as suas mentalidades mais exigentes nestes últimos anos. No mesmo texto, Bruno de Carvalho apela aos mesmos adeptos a virem em massa ao último jogo do ano, apenas uma das várias contradições que o seu texto apresenta enquanto objecto de comunicação.

É sua obrigação, enquanto presidente, estar insatisfeito com os resultados negativos do clube, mas é também a sua obrigação saber comunicar a sua insatisfação aos adeptos e aos atletas. E enquanto adeptos, sentimo-nos atingidos, mais do que confusos, por vermos um presidente culpar-nos, em parte, pela ausência de vitórias do clube ou por uma atitude conformista na nossa militância (se não era essa a intenção, pareceu). Talvez seja este o maior erro de comunicação do presidente: criticar uma massa adepta que cresceu em números, grandeza, e paixão em quinze anos sem qualquer título de campeão, provavelmente um caso único no mundo desportivo (e que, romanticamente, faz uma coisa muito especial isto de ser sportinguista), sem esquecer as contribuições financeiras essenciais que permitiram, também, a recuperação económica e a construção de infraestruturas dentro do clube. Se existe massa adepta cuja militância deve ser tratada com pinças, essa é, sem dúvida nenhuma, a do Sporting Clube de Portugal. E se a mentalidade dos adeptos, fruto de demasiados anos com poucos títulos, recai facilmente para a divisão (como comprova o burburinho absurdo à volta da mudança de data de uma gala, um acto normal em qualquer clube do mundo, seja qual for a razão), é obrigação do presidente saber remar contra ela e não criar mais motivos para incentivá-la.

A publicação do presidente no facebook tem a virtude de ser a última, o que nos pode fazer pensar que a estratégia de comunicação do clube já está a ser repensada. No entanto, esse mesmo texto termina com o desabafo que tal decisão foi tomada de maneira a que possa, a partir de agora, trabalhar sozinho, sem críticas (a seu ver) infundadas, de maneira a que o clube consiga cumprir os seus objectivos. Esquece-se o presidente que nenhum líder conseguiu reunir tropas à sua volta (por mais do que uma batalha) a partir do momento em que se fecha sozinho na sua visão para um objectivo (de um clube, de um país, ou de qualquer ideia colectiva que exija uma concretização prática e colectiva), afastando-se daqueles que, apesar de terem ideias diferentes, serão sempre úteis para a sua concretização (e que não sejam, como se diz em política, meros yes men). Sem percebê-lo, Bruno de Carvalho fez aquilo que a comunicação do clube mais precisava, ao encerrar uma conta institucional que era usada em termos pessoais, mais caiu no mesmo erro do sportinguismo dos últimos anos e contra o qual ele próprio quis combater: a separação entre os demais em vez da união de quem vive o clube.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

A(s) época(s) seguinte(s)

Pela primeira vez desde que o clube elegeu Bruno de Carvalho a presidente, os adeptos sentem a enorme frustração de uma época perdida em que não se conquistou nenhum título. Se essa frustração acaba por ser, por um lado, muito bem-vinda, pois tal sentimento era, em anos muitos recentes ainda, um conformado encolher de ombros, os sportinguistas sentem que o clube parece, de novo, de rumo indefinido, correndo o perigo de se encerrar em mais um longo ciclo sem glória. Na verdade, a transição desta época para a seguinte bem pode ser o momento mais importante dos próximos quatro anos da vida do clube. 

Bruno de Carvalho ficará como um dos presidentes mais importantes na história do Sporting pelo "simples" facto de ter evitado a sua falência e devolvido, em tempo recorde, os níveis de competitividade que lhe eram exigidos (e depois de uma época em que se chegou a temer a descida de divisão). Por outro lado, se a sua enorme força de vencer, e depressa, funcionou como um impulso tremendo para recuperar uma auto-estima que andava pelas ruas da amargura, algo que levaria o Sporting a cumprir feitos internos tremendos (a entrada no top 5 do ranking mundial de sócios, tendo já ultrapassado os 150 mil, lotações perto de esgotadas em todos os jogos, ou a construção de um pavilhão para as modalidades e responder, assim, ao seu espírito de formação desportiva nacional), essa mesma rapidez, hoje, acaba por ter um efeito perverso nas esperanças dos adeptos face à realidade em que o clube ainda se encontra. Não queremos dizer, com isto, que o Sporting deve pôr de lado o seu desejo de vencer (os clubes grandes não vivem assim). Mas se antes se viu uma enorme recuperação, hoje, já sofremos com a desvirtuação daquela que é uma das principais questões de toda e qualquer liderança política ou desportiva e da sua relação com quem a apoia: a gestão das expectativas. E perante a evidência do falhanço estratégico da época que agora termina, os sportinguistas sentem que foram iludidos perante aquilo que viveram na época passada.  

1.

Nunca ninguém poderá criticar a aposta desportiva em Jorge Jesus e o sentido de oportunidade que o presidente revelou em contratá-lo. Mas tornou-se evidente que a pressa de vencer (e que quase nos deu um título no primeiro ano do treinador), já nos mostra, num prazo temporal mais alargado, as carências estruturais de um clube que deseja manter uma regularidade de vitórias. Curiosamente, carências que também impediram o Sporting (na altura, talvez mais graves ainda) de manter uma regularidade de campeonatos depois de conquistar, no início do milénio, dois em três anos, algo que veio de um momentum anual e não de uma estratégia a médio-longo prazo. Hoje, numa altura em que o futebol está cada vez mais profissionalizado (e em que o sucesso desportivo passa, também, por uma cultura de comunicação, de prospecção, de marcas e de gestão), será necessário ao presidente rodear-se de pessoas cada vez mais profissionais, perspicazes, e exigentes para tomar decisões cada vez menos isoladamente. E se muito se discutiu, no momento da contratação de Jorge Jesus, se o sucesso do Sport Lisboa e Benfica se devia, em primeiro lugar, ao treinador ou à estrutura profissional que o rodeava, hoje já sabemos a resposta: nenhum dos dois venceria sozinho, mas era esta última que dava todas as condições, ao primeiro, para conseguir vencer com regularidade, algo que ainda está por provar na experiência e nas condições actuais do Sporting.

2.

Se as grandes decisões do clube, na transição para a época seguinte, terão de recair a nível da estrutura, é necessária uma comunicação, em todos os departamentos do clube, que se baseie exclusivamente numa cultura e identidade sportinguista sem dependências e colagens a outros. Uma das grandes razões para o insucesso do Sporting nas últimas décadas deve-se, também, à resposta que o clube deu ao sucesso que outros tinham. Ou seja, decisões desportivas e estruturais que vieram em resposta a decisões dos rivais e não na sequência de uma crítica interna, e permanente, ao sucesso interno do Sporting (ou à falta dele). O sucesso de um clube passa, em primeiro lugar, por olhar para dentro e ver aquilo que tem de mais fraco e aquilo que tem de mais forte. Só assim poderá resolver com eficiência, estrutura, e regularidade o que tem de pior para apostar naquilo que tem de melhor (e assim crescer). E perante o sucesso do seu maior rival, o Sporting já não pode responder como fez nas últimas décadas: com um pânico estrutural, e uma obsessão pelos outros, que leve o clube repetidamente ao conflito interno ou à beira da auto-destruição.

3.

Por fim, se a análise da direcção quanto ao desenvolvimento técnico da equipa, nas mãos de Jorge Jesus, terá também de passar por questões estruturais (construindo uma equipa e uma cultura de comunicação que favoreça o seu sucesso), o Sporting terá também de apostar na vantagem que tem em relação a todos os seus adversários: a formação de jogadores. A (talvez) última frustração dos sportinguistas prende-se, precisamente, com este último ponto: não só a mais-valia técnica do seu treinador não se fez sentir este ano, mas as suas decisões técnicas, do início até ao fim da temporada, vão contra a grande vantagem e matriz do clube. Se Jorge Jesus lançou Gelson Martins e Rúben Semedo (nenhum treinador no mundo não apostaria, em todos os jogos, no primeiro a titular), vimos o clube lançar inúmeros e careiros falhanços, sem influência no futuro do clube a não ser o prejuízo financeiro, em vez de jogadores como Daniel Podence (que joga a titular em caso de lesão), Francisco Geraldes, Matheus Pereira, Iuri Medeiros, Ryan Gauld ou Ricardo Esgaio. Apesar da ausência de títulos, o Sporting foi sempre o principal formador de talento do futebol português e o grande responsável pela formação da selecção nacional que conseguiu o primeiro título, a nível sénior, na sua história. Esse sucesso desportivo e humano passa por formar, e para formar talento, é preciso que ele jogue (com todas as suas imperfeições). Se, com o campeonato já resolvido, e com vários jogadores sem motivação (outro motivo de discussão), o treinador acredita que este ainda não é o momento para lhes dar espaço, resta saber quando e se esse quando passará pelo Sporting (ou pela selecção nacional). 

4.

A nova época, com ou sem Jorge Jesus (o Verão futebolístico é longo e dado a paixões da estação), irá começar, mais uma vez, de maneira ingrata para o clube. A tremenda alegria de vencer o Campeonato da Europa trouxe fadiga e férias atrasadas aos principais jogadores do clube e ao nosso meio-campo (o principal motor do jogo). Com uma (seguramente muito difícil) pré-eliminatória da Champions a antecipar a época desportiva e uma Taça das Confederações, com a selecção, a acontecer pelo meio, o Sporting arrisca-se a mais um início de época atribulado e a uma afinação atrasada das várias peças do seu jogo. O clube e a estrutura, mais uma vez, deverão estar à altura de uma gestão exigida a uma equipa grande. E colocar o pé no acelerador sem ter todas as peças afinadas poderá provocar novos acidentes de percurso. Resta saber se os sportinguistas terão paciência para sofrer outras voltas de avanço e, também, para entender as suas razões, pois nem sempre a direcção tem sabido transmiti-lo ou apostar nesse discurso. Uma coisa é certa: lá estaremos para a viagem, e para apoiar o Sporting, com lealdade, visão e inteligência.