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sábado, 20 de janeiro de 2018

19ª jornada: Vitória de Setúbal - Sporting (1-1)

Há uma grande diferença na sensação de ver um campeonato um pouco mais longe entre os adeptos dos três grandes, e a diferença é que, para um sportinguista, dois pontos desperdiçados num campeonato onde todos os pontos valem ouro trazem o peso de 16 anos sem se ver o título de campeão. Esta é, obviamente, uma reacção puramente emocional (não fosse o futebol assim). Mas é racionalmente que se devem fazer as análises aos jogos e à carreira desportiva de um clube (coisa que desaparece, precisamente, num período tão grande de jejum). A verdade é que o Sporting, talvez pela primeira vez em todos esses anos, começa a ter qualidade individual, em todos os sectores do seu plantel, e uma profissionalização da sua estrutura que pode rivalizar, de facto, com a dos seus maiores adversários. Do mesmo modo, começou a ter argumentos financeiros, a partir desta época (e numa altura em que o futebol se transformou quase exclusivamente num concurso de dinheiro), para competir no mercado com outros clubes da mesma ambição. Repito: em 16 anos, num período em que o futebol se profissionalizou e transformou radicalmente, e em que o Sporting não soube acompanhar essas mudanças, esta é provavelmente a primeira época em que todos os recursos da gestão financeira e desportiva do clube conseguem estar à altura das suas ambições. 

Sendo assim, o que correu mal em Setúbal? Em duas palavras: eficácia e desconcentração. O Sporting jogou o suficiente para sair de Setúbal com uma vantagem de dois ou três golos. A presença de Rúben Ribeiro, apesar de discreta na "nota artística", conferiu maior criatividade e uma maior ruptura das linhas defensivas do adversário no sector central do terreno (assim surgiu o primeiro golo). Até aos instantes finais da partida, a ausência de concretização de outras oportunidades levou a que chegássemos ao período de descontos com apenas um golo de vantagem, resultado sempre perigoso em jogos fora, e contra equipas trancadas, devido ao perigo das bolas longas e do contra-ataque de três toques. Falhou, por isso, a pressão no portador da bola do Setúbal, que lança passe longo para Edinho, e falhou, também, a atenção na linha de fora-de-jogo, por parte da linha defensiva, que resultou num controlo deficiente da profundidade. Questões mais do que treinadas nesta equipa e que não podem imputadas, de maneira nenhuma, ao treinador (e é também por estas questões, no ataque, que Jesus pediu um avançado para "casar" com Bas Dost, um extraordinário finalizador mas que tem muitas dificuldades em concretizar fora da área, em remate cruzado ou ainda em corrida, ficando a equipa mais dependente de si). 

Com todos os seus defeitos, Jorge Jesus tem feito tudo nas suas capacidades, com os jogadores que tem em mãos, para chegar ao título. Nos seus melhores momentos (e não são poucos, apesar da desilusão da época passada), o Sporting jogou o melhor futebol que se viu em largos anos em Alvalade. Estar a deitar-lhe culpas para cima ou criticar a ausência de substituições neste jogo (que nada mudariam) não faz sentido: é uma crítica emocional, não racional. O Sporting fica agora proibido de perder mais pontos até à deslocação ao Dragão e o seu resultado, nesse campo, ganha outra importância. É também disso que se fazem as equipas campeãs, as únicas que não desistem (sobretudo com uma distância de quatro pontos -- mais vale assumi-los -- com 15 jogos por disputar no calendário). Temos todos os recursos para isso, apesar dos grandes obstáculos que se apresentam, e quando assim é, os resultados vêm com frieza e trabalho. Por isso: keep calm and carry on.

domingo, 24 de setembro de 2017

7.ª jornada: Moreirense - Sporting (1-1)

A boa notícia que se retira deste empate é que os primeiros pontos perdidos, neste campeonato, foram apenas à sétima jornada (e num jogo fora), o que não deixa de ser um bom arranque. A má notícia é que ficam expostas algumas deficiências no plantel e, é preciso dizer, alguma má leitura na abordagem a este jogo. É preciso dizê-lo: os jogadores não são máquinas e, depois de um arranque de época intenso (bem mais do que os nossos rivais), Jorge Jesus tem de rodar a equipa para conseguir gerir a disponibilidade física dos seus jogadores, e antes de uma dupla jornada com Barcelona e Porto, o jogo fora com o Moreirense não podia apresentar o mesmo onze inicial que muitos dos jogos anteriores. No entanto, espera-se, também, que o treinador saiba tirar as devidas leituras deste jogo para o futuro.

Hoje percebe-se que o onze mais forte, do Sporting, é com William Carvalho e Battaglia nas zonas centrais do terreno e Bruno Fernandes mais próximo do ponta de lança. Quando o jogador argentino entrou em campo, o Sporting tornou-se uma equipa mais equilibrada e, também, mais perigosa. No entanto, a ausência de Fernandes (a exibição mais discreta da época), devido a substituição, fez com que o jogo se tornasse mais directo e menos esclarecido na recta final, não conseguindo o Sporting ganhar, também, por ter faltado a sorte que existiu nas últimas vitórias sofridas (e algumas arrancadas nos últimos momentos do jogo). Alan Ruiz continua a ser uma peça a menos na equipa, apesar da sua técnica, e Bruno César, na ala esquerda, traz um jogo mais previsível e menos criativo. Iuri Medeiros teve, infelizmente, uma exibição lamentável, daquelas em que os adeptos se perguntam onde é que anda a cabeça do jovem jogador. O jovem português tem um talento inegável com a bola nos pés, mas as suas primeiras exibições com a camisola do Sporting, e num contexto obrigatoriamente mais difícil do que nas equipas para onde foi emprestado, parecem mostrar que não se encontra ainda mentalmente focado. As suas perdas de bola nos últimos minutos do jogo, com tempo e espaço para assistir a equipa para um golo urgente, são difíceis de explicar para um jogador deste nível.

Esta é a primeira de duas peças que o Sporting precisa de encontrar no mercado de inverno: um extremo-esquerdo para lutar pelo lugar com Acuña. Mas já existe um jogador, no plantel, que traz o rasgo que a equipa necessita: Daniel Podence. O jovem português seria muito importante para tirar Alan Ruiz do onze titular, mas já o vimos jogar nas alas com perigo. Espera-se que Jesus voltar a apostar nele depois de ter recuperado da sua lesão: a equipa é mais perigosa com ele. Continuamos a depender de nós para cumprir os nossos objectivos, e é já na próxima jornada que poderemos ultrapassar o novo líder do campeonato.

Notas: Rui Patrício (7), Piccini (6), Coates (6), Mathieu (6), Coentrão (6), William (7), Bruno Fernandes (6), Bruno César (5), Gelson (6), Alan Ruiz (5), Bas Dost (5), Battaglia (6), Doumbia (5), Iuri Medeiros (4).

terça-feira, 19 de setembro de 2017

6.ª jornada: Sporting - Tondela (2-0)

(fotografia Lusa / Mário Cruz)

Uma equipa campeã é uma equipa que sabe aproveitar todos os momentos do jogo, incluíndo aqueles onde a qualidade individual ajuda a desbloquear resultados. E pela primeira vez em muitos anos, o Sporting conta com dois jogadores, na sua equipa titular, que são exímios nos livres directos à baliza: Mathieu e Bruno Fernandes. Acrescenta-se, também, o facto de cada um bater com um pé diferente: o central francês com o pé esquerdo e o jovem português com o pé direito (não esquecemos, também, que a equipa tem outro especialista no banco de suplentes: Iuri Medeiros). Desta vez, foi Mathieu a concretizar um livre directo de forma espectacular, e para além disso, Bruno Fernandes continua a resolver jogos com remates brilhantes de meia-distância. É também nestes "pormenores", essenciais em qualquer equipa vencedora, que o Sporting se mostra mais perigoso e com mais capacidade para atingir os seus objectivos do que nos anos recentes, o que nos faz pensar, apesar de ainda estarmos no início da época, de que este é o onze titular mais forte da era de Jesus.

O Tondela foi uma equipa pouco pressionante e cedo se viu em desvantagem, o que acabou por proporcionar um jogo tranquilo ao Sporting (com uma calma e um ritmo que a equipa já pedia há algum tempo, dado o pesadíssimo calendário de Agosto). A equipa ganha uma qualidade completamente diferente com Fábio Coentrão em campo, mesmo sem grande fulgor no ataque (Acuña também este discreto em tarefas ofensivas, mas foi imperioso na posse de bola, na salvaguarda do ritmo de jogo, e nas tarefas defensivas), e William Carvalho, apesar de um início um pouco tremido, voltou a impôr a sua autoridade no centro do terreno (e que bom que é ter um jogador desta qualidade, com bola, naquela zona do terreno). Para além do golo, Bruno Fernandes cumpriu dois lugares no terreno (ao lado de William e mais perto dos avançados) com criatividade e segurança, mas parece finalmente ser na posição de segundo avançado (ou terceiro médio) que se mostra mais decisivo e interventivo no jogo da equipa (tornando-a muito mais perigosa). Jesus já não deverá fugir do trio William-Battaglia-Fernandes para a maioria dos jogos.

Iuri Medeiros, no lado direito, teve a tarefa inglória de substituir Gelson Martins, mostrando dificuldades em dar sequência ao jogo mas com bons pormenores técnicos (tendo ficado a milímetros de um excelente golo). Gelson e Iuri são dois jogadores totalmente diferentes, trazendo com duas "propostas" de jogo opostas: o primeiro na ruptura e velocidade, o segundo na posse e visão de jogo. Podem ser utilizados para diferentes momentos do jogo (e Iuri não joga apenas na direita), mas este último precisa de mais minutos para sentir-se mais entrosado e confiante (seria vantajoso se jogasse na Taça da Liga).

O jogo tímido dos laterais e extremos, nas tarefas ofensivas, ajudou a que Bas Dost apenas tivesse uma oportunidade de golo. Mas quando antes estávamos dependentes de um homem na frente, agora temos um futebol colectivo muito mais coeso e, consequentemente, mais perigoso (e com três jogadores nos dez primeiros melhores marcadores do campeonato: Bruno Fernandes com 5, Bas Dost com 4 e Gelson Martins com 3 golos). E esse é um dado essencial para os objectivos de um campeonato: uma prova de regularidade onde ganham as equipas que têm mais soluções para os obstáculos diferentes que surgem ao longo da época.

Notas: Rui Patrício (7), Piccini (7), Coates (7), Mathieu (8), Coentrão (7), William (8), Bruno Fernandes (8), Iuri Medeiros (6), Acuña (7), Alan Ruiz (5), Bas Dost (6), Battaglia (6), Gelson Martins (6), Bruno César (6).   

sábado, 16 de setembro de 2017

#DiaDeSporting: Sporting - Tondela

Regresso do campeonato e contra uma das equipas que mais chatices nos têm dado recentemente: nas duas últimas visitas a Alvalade, o Tondela levou dois pontos de cada vez, e os sportinguistas ainda têm na memória o jogo de há dois anos que acabaria por ser decisivo na contagem final do campeonato. Duas vitórias contra Tondela e Moreirense (a jornada seguinte) são o objectivo que a equipa precisa de cumprir para receber o Porto, dentro de três jornadas, e roubar os primeiros pontos a um adversário directo (e com quem partilha actualmente a liderança). Está na hora de ajustar contas. Fábio Coentrão aparenta estar recuperado e Bas Dost deverá também regressar à titularidade num jogo onde será importante a equipa marcar cedo e saber gerir a vantagem (ao contrário do que tem acontecido). Este é o nosso onze:

Rui Patrício, Piccini, Coates, Mathieu, Fábio Coentrão, William, Battaglia, Bruno Fernandes, Gelson, Acuña, Bas Dost.

sábado, 9 de setembro de 2017

5.ª jornada: Feirense - Sporting (2-3)

(fotografia Lusa / José Coelho)

Pela segunda vez consecutiva, o Sporting construiu uma vantagem de dois golos, contra o adversário, e quase deixou fugir a vitória nos últimos minutos. Desta vez, valeu um precioso penálti de Bas Dost no último minuto, depois de uma falta (algo desnecessária) do defesa do Feirense sobre Coates, para terminar com o sofrimento dos sportinguistas. Um filme muitas vezes visto, nos últimos tempos, e que será, neste momento, algo a rever pela equipa técnica.

Acrescente-se que a oscilação no resultado é consequência, também, de um facto determinante no jogo: a lesão de Piccini obrigou o "tampão" Battaglia, presença que se tem revelado crucial nas tarefas defensivas do Sporting, a desviar-se para a faixa direita, onde cumpriu a função com esforço e sacrifício (mais uma boa exibição). Do outro lado, Jonathan Silva revelou a agressividade habitual (algo que tem faltado, em boa verdade, ao plantel do Sporting), subindo e colaborando nas tarefas ofensivas, mas mostrando, também, a habitual ineficiência na hora de defender. A saída de Piccini fez com que Alan Ruiz entrasse no jogo para a posição de segundo avançado, mostrando momentos de ruptura (a nível de passe e de linhas), mas várias perdas de bola e lentidão na decisão (sobretudo a nível de remate), que, mais uma vez, mostram-se frustrantes para o jogo da equipa. Bruno Fernandes, a última peça a mover-se com a saída de Piccini, "descendo" de segundo avançado para o centro do terreno, ajudou a trazer de volta o jogo interior da equipa e marcou, mais uma vez, um golo de enorme classe, embora tenha tido menos acutilância na construção do que em jogos anteriores.

Ao contrário de outras épocas (e daquilo que nós próprios esperávamos), Jesus não poupou jogadores e fez alinhar tanto Coates como Acuña no jogo, peças basilares da equipa. Coates e Mathieu (apesar de uma perda de bola que, por pouco, não comprometeu a equipa) fizeram um bom jogo no que toca o envolvimento atacante (o primeiro com um golo, o segundo, mais uma vez, com muita qualidade no passe), mas com menos concentração e rapidez a defender (fruto do desgaste e das condições físicas, segundo explicou Jesus). Globalmente, podemos ficar mais descansados com aquilo que a equipa mostrou, a nível de compromisso e de construção, na segunda parte, sabendo que o Feirense, neste campeonato, é das equipas "pequenas" que maior inteligência e perigo mostra a jogar à bola. O Sporting tem mostrado, em relação ao ano passado, maior qualidade individual e mais soluções, a partir do banco, para adiantar-se em relação ao adversário e fazer um jogo mais perigoso. Se mostrar maior consistência a defender aquilo que é seu -- a vitória -- terá a força que se conhece de uma equipa campeã (embora já saibamos que a glória nunca virá sem sofrimento). Destaque ainda para o compromisso e a qualidade sempre presente de William Carvalho, apesar das novelas reais e inventadas que vieram com o mercado, e Bas Dost menos isolado nas tarefas da equipa. Mereceu marcar o golo da vitória, e mereceu este grupo, pelo seu trabalho, celebrar a quinta vitória consecutiva no campeonato. Até à oitava jornada, um jogo em casa com o Porto, o Sporting defronta o Tondela (casa) e o Moreirense (fora). Passo a passo, o caminho pode tornar-se numa pequena fortaleza. Assim o desejamos!

Notas: Rui Patrício (7), Piccini (6), Coates (7), Mathieu (6), Jonathan Silva (5), William (7), Battaglia (7), Bruno Fernandes (6), Gelson (6), Acuña (6), Bas Dost (7), Alain Ruiz (5), Iuri Medeiros (6), Doumbia (-). 

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

4.ª jornada: Sporting - Estoril (2-1)

Nenhuma pessoa que tenha ido a Alvalade irá esquecer este jogo: em pouco menos de dez minutos, e numa altura em que a vitória já parecia mais do que garantida, o Estoril reduz o jogo para um golo de diferença, é anulado o terceiro golo ao Sporting e, imediatamente a seguir, o Estoril faz a festa do empate pouco antes do video-árbitro anular, mais uma vez, esse golo por fora-de-jogo. Uma montanha-russa de emoções, imprópria para cardíacos, mas que trouxe, com enorme euforia, um sentimento de verdade desportiva que tantas vezes parecia contrariado neste estádio. Estamos, sem dúvida, perante uma nova era no futebol, e o Sporting, com toda a justiça nas suas prestações, é líder no campeonato, à quarta jornada, com quatro vitórias em quatro jogos.

O jogo com o Estoril, em casa, era o último de um mês de ritmo infernal para os jogadores (seis jogos, dois deles decisivos para o resto da época, em três semanas). Jesus percebeu que os melhores tinham de jogar sempre, e ao contrário de épocas anteriores, cedeu menos à rotação que, na teoria, poderia funcionar mas que, na prática, implicaria uma equipa menos perigosa e de rotinas menos bem trabalhadas. Era determinante, por isso, conseguir marcar ainda na primeira parte para não correr atrás do prejuízo, mais tarde, com uma equipa em total quebra física. O ritmo baixo da segunda parte, com o Estoril a arriscar mais e a jogar bem (obrigado a contrariar aquele que seria o seu plano de jogo inicial), deveu-se, precisamente, ao nosso desgaste físico e mental, e os jogadores foram heróis na maneira como conseguiram, apesar de tudo, dar tudo o que tinham e não tinham para sair do campo com mais uma vitória no bolso.

Ainda não entrámos em Setembro e já nos arriscamos a dizer que há um antes e depois, no Sporting, com Bruno Fernandes. O jovem jogador marcou mais um golo fabuloso (um tremendo livre directo a 30 metros da baliza), esteve sempre presente tanto no ataque como na defesa, e parece ser o elemento que faltava, no jogo da equipa, a uma dupla (William e Adrien) que já vinha acusando algum desgaste (e pouca criatividade) no cumprimento das suas tarefas ofensivas. Curiosamente, o Sporting jogou sem os seus dois capitães, e Jesus encontrou, em Battaglia, um médio-defensivo à altura do seu "antigo" modelo de 6: uma muralha que sabota todas as linhas e toda a construção do adversário e que apresenta, de forma decisiva, um acrescento ao jogo aéreo da equipa (defensiva e ofensivamente, tendo ficado à beira de marcar o terceiro golo da equipa).

Sem ser tão vistoso como Fernandes ou Gelson Martins, outro jogador em claro crescendo na inteligência do jogo (a determinar o tempo de jogo, a assistir e a finalizar, e, também, a defender, tal como fez nesta jornada), Acuña já tem estatísticas importantes para quem acabou de chegar ao clube: quatro assistências e um golo (decisivo) que o tornam num jogador essencial na equipa (com muita presença, também, no jogo interior e nas manobras defensivas, embora tenha caído, fisicamente, na recta final da partida). Sobretudo, Acuña entende o jogo, sabe colocar a bola para o último remate, e não deixa, simplesmente, que a roubem dos pés em momentos de pressão, algo que não se pode dizer, da mesma maneira, de Alan Ruiz, um jogador inteligente e tecnicamente dotado mas que ainda apresenta lacunas importantes para o jogo do Sporting (fraca velocidade de execução, inexistência de pé direito para quem ocupa zonas centrais, e muitas perdas de bola sob pressão).

Na defesa, Piccini fez, finalmente, um bom jogo tanto a defender como a atacar, mostrando ser opção válida (nem que seja de recurso) para o resto da época. Mas os verdadeiros reforços, e que fazem com que o jogo do Sporting possa finalmente ser construído, com todas as condições, a partir da defesa, são Mathieu e Coentrão. Apresentámos reservas no momento da contratação do primeiro (devido a não corresponder ao perfil de jogadores que, acreditamos, possam render mais ao clube), mas não há como negá-lo: o jogador é, possivelmente, o melhor defesa-central a jogar em Portugal (ou, no mínimo, o mais completo), mostrando uma energia, visão e liderança, com e sem bola, que poderá elevar a equipa a um patamar mais alto. Coentrão vem ocupar, com experiência e talento, aquele que era um buraco negro na equipa do Sporting, formando uma dupla, nessa ala, que poderá tornar-se temível com o extremo argentino (onde ambos se complementam nas suas características - em teoria, até poderiam trocar de posição...).

Notas: Rui Patrício (6), Piccini (7), Coates (7), Mathieu (8), Coentrão (7), Battaglia (7), Bruno Fernandes (8), Gelson (7), Acuña (7), Alan Ruiz (5), Bas Dost (6), Petrovic (6), Bruno César (6), Iuri Medeiros (-).

domingo, 27 de agosto de 2017

#DiaDeSporting: Sporting - Estoril

A terminar um mês de Agosto complicado, no calendário, e que se revelou muito positivo para a equipa, o Sporting começa agora uma série de jogos teoricamente mais acessíveis, no campeonato, até defrontar o Porto na oitava jornada, a 1 de Outubro: Estoril (casa), Feirense (fora), Tondela (casa) e Moreirense (fora). Quatro vitórias lançariam a equipa para uma muito séria candidatura ao título. Já sabemos que o mais difícil, nestes jogos (para além da ressaca dos jogos europeus), está em construir jogo contra equipas que defendem com onze jogadores, apostam no contra-ataque e nas bolas longas, e remetem-se, muitas vezes, para o anti-jogo. Não são nunca jogos fáceis, portanto. Mas marcar na primeira parte (e quanto mais cedo, melhor) facilitará a tarefa a cumprir durante os 90 minutos. William e Podence continuam de fora e Adrien está em dúvida, pelo que apostaríamos no seguinte onze:

Rui Patrício, Piccini, Coates, Mathieu, Coentrão, Battaglia, Bruno Fernandes, Gelson, Acuña, Iuri Medeiros, Bas Dost.

domingo, 20 de agosto de 2017

3.ª jornada: Vitória de Guimarães - Sporting (0-5)

(fotografia Lusa/Hugo Delgado)

E tudo Bruno Fernandes levou... A jogar a segundo avançado, mas numa posição mais próxima dos dois médios do que aquela que tinha ocupado na primeira jornada, Bruno Fernandes mostrou-se condutor e goleador numa das maiores vitórias dos anos recentes do Sporting. Jorge Jesus não pareceu, depois do jogo, em querer admitir que esta seria, a partir de agora, a solução a adoptar em todos os jogos do clube (pois o Guimarães joga mais aberto que adversários teoricamente mais fracos e com mais gente na área), mas esperemos, pelo menos, que o jovem jogador português não se volte a sentar no banco nos próximos tempos. Saúda-se, para além da classe, o regresso do jogo interior da equipa e do surgimento de um futebol ameaçador, inteligente e perigoso (os dois golos de Fernandes foram remates fora da área, e o primeiro é candidato a golo do ano), tudo o contrário dos inúmeros e inconsequentes cruzamentos e movimentos no jogo anterior contra o FCSB. Jesus também ordenou, na segunda parte, a troca de posição dos extremos, obrigando-os a procurar soluções, mais uma vez, no centro do terreno, algo que ajudou o futebol da equipa. Melhor não se poderia pedir, e o Sporting vai agora com outro ânimo para o jogo mais importante da época (esperando que a saída de Mathieu - outra excelente exibição e mais um jogo sem golos sofridos - não traga más notícias para a sua condição física).

Notas: Rui Patrício (7), Piccini (6), Coates (7), Mathieu (7), Coentrão (8), Battaglia (7), Adrien (7), Gelson (7), Acuña (7), Bruno Fernandes (9), Bas Dost (8), Iuri Medeiros (7), Jonathan Silva (6).

sábado, 12 de agosto de 2017

2.ª jornada: Sporting - Vitória de Setúbal (1-0)

Não pude ver o jogo, mas pelo resumo televisivo e pela leitura de crónicas e análises, não foi difícil perceber que esta foi (mais) uma vitória sofridíssima em Alvalade. Ao contrário do que tinha anunciado José Couceiro, o Setúbal não se mostrou interessado em jogar futebol e optou por enfiar-se dentro da grande área durante os 90 minutos. É frustrante ver a falta de ambição e o mau futebol que as equipas pequenas continuam a praticar, em Portugal, quando jogam contra as equipas candidatas ao título. O futebol fica a perder.

Ao ver o onze inicial ainda antes do início da partida, já se adivinhavam as dificuldades que poderiam surgir durante o jogo. Um meio-campo composto por Battaglia e Adrien (a jogar, neste momento, por uma questão de estatuto) retira muita capacidade técnica e criativa, com bola, ao jogo da equipa, um factor decisivo quando se tem um adversário apenas interessado em defender o zero a zero. Sem William, o futuro de um Sporting eficaz está num meio-campo com Adrien a 6 e Bruno Fernandes, ao seu lado, na posição 8 (ou Battaglia, a 6, com Bruno Fernandes ao seu lado). Apesar de não ter concretizado as suas oportunidades, percebeu-se a importância que Doumbia tem nestes jogos para furar difíceis muralhas. Falta-lhe apenas um golo para ganhar a confiança necessária e tornar-se num jogador essencial neste campeonato. Não espantaria, ainda assim, que o Sporting trouxesse mais um avançado com golo, algo que Podence, neste momento, ainda não oferece à equipa (e muito defendemos a utilização deste enorme jovem jogador).

O Sporting acabou por ter a sorte do jogo, mas não vale a pena contar com ela para todos os duelos difíceis que iremos encontrar em casa. É preciso construção e criatividade desde trás, algo que William trazia, primorosamente, na primeira fase do jogo com bola. Com a sua saída, se importa trazer físico ao meio-campo, convém não esquecer o enorme valor que trazia, igualmente, ao jogo interior, à mudança rápida de flancos, à acutilância dos passes no momento de encontrar espaços certos para a última decisão e a finalização. E o único substituto à altura está em Bruno Fernandes, alguém que irá trazer tudo isso na posição de 8 e que pede, ao seu lado, a muralha defensiva de Battaglia ou um recuo de Adrien para um lugar mais defensivo, onde a sua disponibilidade física e agressividade certamente se fará valer e onde poderá, inclusivamente, construir os últimos anos da sua carreira.

Resta sublinhar a boa exibição de Mathieu (e a sua capacidade de liderança, trazendo finalmente a sua experiência para dentro de campo), assim como os zero golos sofridos em dois jogos do campeonato. Quase que temos vontade de citar outros treinadores e dizer: "o caminho faz-se caminhando...". Terça-feira há mais.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

1.ª jornada: Aves - Sporting (0-2)

Num jogo ainda a ritmo de pré-época (lento e conservador no ritmo), o recém-promovido Desportivo das Aves acabou por ser o arranque ideal para cimentar rotinas no grupo, exibir maior segurança a defender e maior coesão entre sectores, e poder voltar a casa com uma vitória motivadora, no arranque do campeonato, com zero golos sofridos (quantas vezes conseguimos essa estatística na época passada?). O Sporting manteve sempre o controlo da operações da partida, com excepção de um par de erros defensivos de Piccini na faixa direita (que se mostrou seguro, no entanto, no trabalho com Gelson) e nos últimos minutos da primeira parte, quando inexplicavelmente deu a bola ao Aves numa altura em que o seu guarda-redes se encontrava lesionado em campo, à espera que a bola não lhe chegasse à baliza (e já depois de ter sido assistido pela equipa médica).

Apesar do pouco ritmo competitivo, Jesus deu os lugares centrais do meio-campo à dupla William/Adrien, puxando Bruno Fernandes para um lugar menos confortável de segundo avançado (deixando Podence no banco). Como esperado, a exibição tanto de Adrien e Fernandes foi intermitente, com o primeiro a resguardar-se para tarefas mais defensivas (com vários passes errados e perdas de bola na construção atacante) e o segundo sem grande entrosamento com os jogadores à sua volta (mas, ainda assim, bastante envolvido no ataque da equipa, com um bom remate que quase inaugurou o marcador).

Embora os dois golos tenham vindo de Gelson Martins, a grande figura da equipa foi Acuña: muita solidariedade e força a defender, muita inteligência e talento a atacar (uma boa assistência, em esforço, para o primeiro golo, e alguns remates muito perigosos a meia-distância), e muita presença no jogo interior da equipa. O extremo argentino promete ser, sem dúvida, um reforço essencial para o resto do campeonato. Podence, a entrar na segunda parte, mexeu com o jogo numa altura em que o Aves já sentia uma maior quebra física, e ofereceu um passe a rasgar a defesa (como vem sendo hábito quando participa no jogo) que Bas Dost (incrivelmente) não soube aproveitar. Com Podence em campo, o jogo do Sporting muda muito e aceita o elemento de risco que, muitas vezes, não está disposto a correr na maior parte do tempo. Destaque ainda para a boa entrada de Battaglia, um jogador que oferece músculo e uma segurança defensiva que muita falta nos fez na época passada.

A próxima jornada é já na sexta-feira, em casa, contra o Vitória de Setúbal (às 20h30), poucos dias antes da primeira mão de um playoff de acesso à Liga dos Campeões que, contra todas as expectativas, se tornou favorável às nossas aspirações. Todas as condições estão reunidas para termos um início de época que pode engatar a equipa para uma boa série de resultados.

Notas: Rui Patrício (7), Piccini (6), Coates (8), Mathieu (7), Coentrão (7), William (8), Adrien (6), Gelson (7), Acuña (8), Bruno Fernandes (6), Bas Dost (6), Podence (7), Battaglia (7).